Vinhaça: do cheiro ruim nos canaviais à geração de energia limpa

Vinhaça: do cheiro ruim nos canaviais à geração de energia limpa

Tecnologia transforma refugo que sobra do etanol e preserva o meio ambiente

  

Quem já passou perto de um canavial na entressafra provavelmente já se perguntou que cheiro ruim é aquele. O odor vem da vinhaça, subproduto pastoso do etanol e que é utilizado in natura pelas usinas como uma espécie de fertilizante natural do solo, mas que, além de malcheiroso, pode contaminar o meio ambiente. O que muitos ainda não sabem é que o Brasil já tem tecnologia para transformar esse dejeto em biogás e, a partir daí, em energia limpa e renovável. 

 

O assunto foi um dos destaques na Fenasucro, feira de tecnologia do setor sucroenergético, ocorrido em agosto em Sertãozinho, interior de São Paulo. A Unidade Energia (UNEN) da Sotreq, revendedor da Caterpillar, deu ênfase à aplicação dos geradores a biogás, com capacidade de gerar energia a partir da conversão da vinhaça.  

 

“Algumas usinas já deram o primeiro passo e muitas outras estão aguardando para ver o sistema em funcionamento para obter essa segurança tecnológica”, diz Lucas Monteiro, gerente comercial da Sotreq. Com base nas tecnologias dos produtores de biodigestores, ele diz estar seguro que este sistema pode funcionar, sim, de maneira adequada e estável. A desconfiança, lembra Lucas, deve-se ao fato de a vinhaça ser um substrato pouco conhecido no mundo todo e muito agressivo. A tecnologia, no entanto, começa a mudar essa percepção. 

 

A Sotreq já disponibiliza o portfólio de motores Cat® para o segmento. A empresa oferece o chamado “pacote chave na mão do sistema de geração de energia”. “Podemos fazer todo o restante da usina térmica - geradores à biogás, equipamentos e serviços relacionados”, explica Lucas.  

 

Sustentável e rentável 

Para Marcos Barros, analista da Finep (Financiadora de Inovação e Pesquisa), o domínio dessa tecnologia pelo Brasil vai possibilitar ainda o incremento de receitas das usinas, pelo reaproveitamento interno e até a comercialização da energia obtida a partir do biogás, ou de sua conversão em biometano combustível veicular. 

 

É um mercado que tende a crescer, já que o potencial do Brasil e da América Latina é enorme, por causa da extensão da área plantada de cana. Só a produção brasileira de etanol no período 2017/2018 foi de 28 bilhões de litros. Para se ter uma ideia da abundância de matéria-prima que pode ser transformada em energia limpa, para cada litro de etanol são produzidos de 10 a 14 litros de vinhaça. 

 

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